de Domingos Guimaraens
Cinco poemas do livroO lírico de Domingos envolve a genealogia, o existencialismo e o oracular. Estamos já no futuro? É azul. Líquido químico em veias que sustentam a membrana. De repente tudo envolvido pela membrana cor de pele por dentro. Do ventre, mãe ou Gaia, cor pele-transparente entre salmão e veias vermelhas quase marrons e depois o azul fantástico do sonho do medo e do eterno. O mundo possível do futuro radioativo.
Quando vou escrevendo e deixando fluir o que retive do A Gema do Sol, do poeta-artista-plástico, Domingos Guimaraens, vêm cenas de sonho, de passado longínquo, de abandono num espaço do futuro do presente: mesmo sob a paralisia do autor, a paralisia que ele provoca é diferentemente perturbadora, pois não há a intenção de paralisar. Paralisa ou remete ao local de quem está vendo e vivendo a cena: o corpo tendendo à paralisação. O pensar hora confuso hora arguto. É assim que me serve a poesia. A do Domingos Guimaraens. Tem poesias que têm outra serventia. Mas a dele serve para o alerta sobre o futuro do detrito, como o presente detrito e como o passado fantasma.
A poesia do Domingos tem também o poder de acelerar com suas palavras – remetendo as velocidades entre galáxias. A chegada de um impacto do asteróide virtual e dilacerante.
A mudança de tempo e de cores e de visões, justapondo-se, é o que me vem à mente quando guardo e escrevo sobre A Gema do Sol. Devo ter dormido com tantos sonhos parecidos com as imagens do livro, pois foi ontem que o li, finalmente, por inteiro.
Domingos faz parte de uma sociedade secreta que é sua família com três poetas, de três gerações anteriores, consagrados. Dedica o livro ao seu avô Alphonsus de Guimaraens Filho que o introduziu ao mundo fantástico que o pai de seu avô o havia levado: a visão que o resignado, falso, não mais olha para o sacrificado humano, vai perguntar ao Eterno os caminhos. De que azul fala Domingos Guimaraens?
Guilherme Zarvos